PPP



PPP – Projeto Político-Pedagógico

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES


A educação brasileira disciplinada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional[1], que define a formação dos educandos no ensino fundamental, considerando seus aspectos biopsicológicos e socioculturais, de forma crítica e reflexiva, apresenta diferentes possibilidades de critérios na organização do processo de ensino-aprendizagem no currículo escolar. A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro criou e vem implementando o projeto político-pedagógico, inovador, denominado Ginásio Experimental Carioca, em sua rede de ensino:

 “Considerando a necessidade de introdução de novos métodos e práticas no cenário educacional que viabilizem a existência de uma escola voltada para a excelência acadêmica e para a formação de jovens competentes, autônomos, solidários e corresponsáveis por sua própria suficiência, bem como pela transformação da comunidade e da sociedade em que vivem” [2].

 Os eixos basilares dos Ginásios Experimentais Cariocas (GECs) são a Excelência Acadêmica, o projeto de Vida e a Formação para os Valores, que dialogam com os quatro Pilares da Educação para o Século XXI, de Jacques Delors[3], que são o Aprender a ser, a fazer, a conhecer e a conviver. O tempo de permanência dos educandos e educadores na escola, também foi estendido e novos componentes disciplinares inseridos na matriz curricular, além de outras mudanças significativas.

Hoje, na chamada sociedade da informação, o conhecimento se transforma a cada momento, levando o tempo e o espaço, em diferentes âmbitos da sociedade, a uma relatividade exacerbada. O mundo atual encontra-se em estado de metamorfose constante, momento diferente de algumas décadas atrás. Nesta perspectiva, novos recursos e novas metodologias são essenciais a uma educação eficiente e de qualidade. Os GECs têm disponível rede sem fio de internet e netbooks para educandos e educadores, além de toda a infraestrutura tecnológica nas salas de aula. Utiliza-se também a Educopédia, que é uma plataforma de aulas digitais online, que reúne vídeos, planos de aulas, jogos pedagógicos e possibilidade de reforço escolar autodidata e/ou com tutoria do educador, via online.

Os avanços tecnológicos no mundo contemporâneo vêm gerando mudanças significativas nos diferentes espaços sociais e com isto alterando a noção de tempo e espaço da realidade, interferindo, inclusive, nas inter-relações que compreendem o cotidiano escolar. Essas mudanças vêm modificando a forma de vermos a realidade atual e nossas ações sobre ela. O fluxo de informações transitáveis e transitórias, disponíveis à todos no mundo globalizado, que Pierre Lévy (1999)[4] denomina dilúvio das informações, interfere nos mecanismos biológicos que o ser humano possui para sentir, pensar e agir no mundo, levando-o cada vez mais a utilizar as tecnologias intelectuais, cujos objetos “desempenham um papel fundamental nos processos cognitivos, mesmo nos mais cotidianos. Estas tecnologias estruturam profundamente o uso das faculdades de percepção, de manipulação e de imaginação” (Lévy, 1993, p.160)[5].

Sendo certo que cada ser humano possui um currículo oculto oriundo da sua hereditariedade e experiência de vida, o que gera sua complexa subjetividade, todos os educadores da Unidade Escolar são responsáveis individualmente pelo educando, trabalhando em equipe, e ainda, trazendo à luz do processo educativo, os seus responsáveis e/ou familiares.

O papel do “professor-tutor”, neste novo conceito de escola, vem amplificar a relação educador-educando, dinamizando questões vinculadas ao projeto de vida do aluno e a sua ação protagonista na escola e na vida.

Após a criação e implementação dos GECs em toda a rede de municipal de ensino, ocorre a criação dos Ginásios Experimentais com focos específicos, tais como no Desporto, nas Novas Tecnologias e nas Artes. A nossa Escola Municipal 02.27.005. André Urani passa a assumir o projeto Ginásio Experimental Carioca, com a prospecção de se tornar GENTE – Ginásio Experimental das Novas Tecnologias Educacionais.

Ao iniciarmos as atividades em nossa escola devemos tecer uma rede de conexões dos saberes e fazeres, que favoreça um centro de excelência para promover a cidadania dos educandos.  Inicialmente, é interessante a focar nas questões ligadas diretamente às ações do/no cotidiano escolar, com objetivo de conjugar a proposta pedagógica já elucidada pela SME/RJ aos projetos que tenham consonância com os anseios de toda a comunidade escolar e ao uso das novas tecnologias nas práticas pedagógicas.

Desta forma, a proposição se encaminha por diferentes investigações:

-        Como proporcionar ao aluno o aprender a estudar, formar e apreender conceitos diante do dilúvio de informações?

-        De que forma motivá-lo diante de uma escola, ainda, em transição curricular e com carga horária ampliada?

-        O professor formado num currículo, ainda linear das universidades, apesar das atualizações, vem encontrando dificuldades para lidar com a multi/trans/interdisciplinaridade[6] no ambiente escolar? Então, como possibilitar um novo olhar do educador pela ação e atuação hipertextual[7]?

-        As habilidades e competências dos educandos em ferramentas digitais, como as redes sociais, dentre outras, podem ser um elo de estímulo ao desenvolvimento de projetos pedagógicos inovadores, levando a inserção do educador como sujeito autônomo no ciberespaço?

-        Quais recursos tecnológicos utilizar em sala de aula e em que espaço/tempo do cotidiano escolar?

-        Como construir valores num dilúvio de informações, durante a formação dos Projetos de Vida dos educandos?

Enfim, são questões que não se esgotam, mas que fomentam novas práticas e suposições relevantes, que não devem ser tratadas linearmente, mas numa rede de complexidades, capaz de tornar o nosso Ginásio Experimental Carioca, uma usina de ideias a ideais.

No nosso Projeto Político Pedagógico (PPP) haverá a necessidade de ressignificação das tecnologias da informação e comunicação na mediação do processo ensino-aprendizagem, evitando que estas sejam inseridas no espaço escolar apenas de forma instrumental, e objetivando sua apropriação como parte de uma “ecologia cognitiva”, onde a construção do conhecimento deixa de ser vista como uma atividade individual, e passa para uma perspectiva integrada com os sujeitos, saberes e objetos envolvidos no ato de aprender.

  

LINDOMAR DA SILVA ARAUJO
Diretor
Matr. 11/170.452-7



[1] LDBEN. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
[2] DECRETO N.º 33649. De 11 de abril de 2011. DIÁRIO OFICIAL. De 12 de abril de 2011.
[3] DELORS, Jacques (Coord.). Educação: um tesouro a descobrir. Brasília : UNESCO/MEC, 1998.
[4]  LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
[5]  LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: O futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
[6] A Multidisciplinaridade é o estudo de um mesmo objeto por várias disciplinas ao mesmo tempo. A Transdisciplinaridade é uma abordagem que passa entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade, são relações entre os diversos saberes. E a Interdisciplinaridade é a transferência de métodos de uma disciplina para outra (Pellanda, 2005, p.75).
[7] Uma nova forma de pensar e de construir o conhecimento é a hipertextualidade, que vem se constituir numa lógica rizomática, diferente das metanarrativas históricas e da linearidade do pensamento próprias das ciências modernas. Esta perspectiva de construção de textos e contextos é o próprio pensar contemporâneo, que Pierre Lévy (1993, p.135), denomina ecologia cognitiva, e diz: “Não sou “eu” que sou inteligente, mas “eu” com o grupo humano do qual sou membro, com minha língua, com toda uma herança de métodos e tecnologias intelectuais (dentre as quais, o uso da escrita)”.

2 comentários:

Ivonilton Fonseca disse...

"Somos parte de um todo e cada parte interage, se integra e se lança nesse desafio de SER e FAZER a diferença, em comum acordo, em busca de um futuro melhor"
Tenho orgulho de viver esse linda história!
Muito Bom!

Amanda de Souza disse...

Olá! Meu nome é Amanda Ribeiro Baiense de Souza, eu faço Pedagogia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), meu numero de matrícula é:201172503-6, qualquer coisa pode conferir. Eu precisava saber sobre a abertura desta escola e sua disponibilidade de seu PPP (sei que todas as escolas deveriam disponibilizar, mas na maioria das vezes isso não ocorre de maneira informatizada) a disponibilidade do seu tem sido de grande valia para minha formação já que pretendo trabalhar na área educacional, só precisava tirar algumas duvidas, não quero incomodar, mas, é de estrema importância para eu saber se poderiam me informar a data de formação desse Blog, se a escola é aberta para observação pública e de quando é esse PPP, ele é o atual?... Por favor, não quero incomodar, é que considero importante para minha formação como profissional essas informações, até mesmo pela senário social e tecnológico que temos hoje. Um Grande abraço!